domingo, 15 de julho de 2018

20:53

No fim é tudo uma mentira, nenhuma promessa vai se concretizar.
Você se sente mal por colocar um ponto final numa história, mas descobre que devia ter feito isso há muito mais tempo.
E de novo aquele ranço na garganta, aquele gosto amargo, aquele choro reprimido, aquela vontade de sair gritando pelo mundo para exorcizar a dor. Mas não dá, tem que mascarar o gosto ruim, tem que sorrir, tem que ser agradável. Até que a próxima merda aconteça, até que você perca totalmente a esperança de uma vida mais doce.

domingo, 8 de abril de 2018

15:53

Meu passado sempre volta para mim de alguma forma. Não sei se isso acontece com outras pessoas, mas comigo parece que os ciclos nunca se fecham. Estou numa terceira tentativa. A segunda me rendeu dois dias de crises de choro, mas aqui estou eu para tentar mais uma vez. Não sei o quanto isso é benéfico, mas é o que acontece. E eu vou aproveitando como posso.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Variações #2 (A cidade e o vazio dentro de mim)

É estranho ser turista na própria cidade, encher os olhos ao olhar para as varandas com plantas. As pessoas, os carros, as vozes, a ausência completa de silêncio. A chuva cai, molha o asfalto e a cidade ganha uma nova cara. Ela fica mais cinza. Os dias ensolarados fazem as baratas saírem dos bueiros e subirem pelas pernas apressadas dos transeuntes.

São muitos livros para serem lidos, cafés para tomar e ruas para andar. Mas eu me perco nas esquinas do centro, nas conversas alheias que eu escuto, nas vidas que eu observo de uma distância segura. O metrô passa lotado de cheiros, de conversas e de medos. A proximidade da minha pele suada com as dos outros me enoja.

A música não me diverte. Os acordes não me embalam, só me irritam, enquanto meu estômago ronca de uma fome preguiçosa. Deitar a cabeça no travesseiro e dormir, descansar o corpo pesado. Imagens em cima de imagens, cheiros que encobrem cheiros. As vozes se misturam e a cabeça não para.

Pelo menos tenho com quem compartilhar essas sensações. Entre um copo e outro de cerveja as ideias saem, se misturam, formam novas histórias.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Tears of isolation


I fell to find something worth fighting for 
What that is? I don't know 
If it looked into my soul 
Would I recognize it though?

sábado, 10 de fevereiro de 2018

22:57

A parte mais difícil é entender que eu não vou agradar todo mundo, que algumas pessoas vão me detestar. Não é a primeira vez que isso acontece, nem deve ser a última, mas dói pra caralho.

domingo, 28 de janeiro de 2018

19:26

A parte mais assustadora da depressão é que ela te deixa cega e burra. Você vê solidão onde não existem, os medos normais se tornam absurdos e o desespero toma conta nos pequenos detalhes.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

22:48

Dia desses me peguei pensando que há anos eu não me sentia tão completa, parecia que todos os campos da minha vida estavam caminhando bem. Trabalhar fora tem me ajudado na depressão, tenho horários, tenho um motivo para sair de casa, interajo com pessoas legais. Até tudo caiu por terra. Tive a primeira crise do ano, o choro preso na garganta cedeu. Me dei conta de que não tenho controle dos meus sentimentos, que sou péssima em guardar as coisas. Desabei e não sei como recolar os cacos. Não me sinto em casa na minha casa, não tenho mais outra casa, não há espaço para mim. Assim como em 2011 estou me contentando com a rotina de trabalho e dormir o fim de semana todo. Pelo menos a solidão que era um fardo passou a ser um conforto. Chegar em casa, comer, tomar banho, sentir os pés latejando, avermelhados e assistir qualquer besteira até dar sono. Ao mesmo tempo que me sinto culpada pela minha frieza, tento relembrar a grosseria, o apoio que parece nunca vir. Já perdi as contas de quantas vezes recebi o silêncio quando precisava de um verbo. Estou tendo uma crise dos 30 às vésperas de fazer 31. Entendi que a solidão é isso, não é uma escolha, é uma consequência do que sou, do que me moldou a vida toda. Talvez eu precise parar de tentar fugir dela e recebê-la.