segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

22:51



And you don't like violence
But you like the respect it commands
And you don't touch the hard stuff
At least not with your bare hands



quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Crônica do desencontro

(Esse é uma variação do post anterior)

A gente se conheceu na fila do cinema para ver o documentário do Nick Cave. Foi no final de 2014, uma das piores épocas da minha vida. Era uma noite de domingo, estava frio. Você não queria furar fila, estava tímido de passar na frente dos outros. Entramos, sentamos separados. Perguntei de onde era o seu sotaque, nos adicionamos em redes sociais. Saímos limpando as lágrimas, falando do filme e eu gostei de você. Seu sorriso largo e seu abraço apertado me fisgaram.

Depois se tornou rotina irmos ao cinema juntos. Vimos filmes do Indie Festival, vimos um documentário sobre o Elliott Smith e choramos até soluçar. Na Mostra de 2015 a gente vivia se esbarrando. Vi “A Bruxa” ao seu lado, depois fomos para um boteco sujo falar da vida. Lembro de uma vez que fomos ao cinema e depois partimos para um bar no centro. Estava cheio de jovens, aquelas conversa não nos agradava. Ficamos ali num canto falando de nossas vidas, de nossos amores, e de filmes, é claro. Você apontou para um prédio e disse rindo que tinha saído com uma pessoa que morava ali.

Também nos encontramos em festas de rua, shows de bandas rolando e a gente conversando sobre a Flip que aconteceria em breve. Você queria muito ir, mas tinha que trabalhar. Você sempre discotecava num bar e dizia que se eu fosse você tocaria Chelsea Wolfe para mim. A maioria das nossas conversas era para marcar alguma coisa, marcar de marcar.

Uma vez eu estava bebendo na Augusta e você passou por mim. Pensei em ir atrás de você, mas estava tarde, deixei quieto. Se eu soubesse teria ido correndo, como eu fui no começo desse ano. Você postou que estava triste, voei a seu encontro para tomar um café antes de você entrar para mais uma sessão de cinema.

Nosso último encontro foi por acaso. Uma sessão de “Possessão”, meu filme preferido. Você se sentou ao meu lado, fofocamos, nos abraçamos, vibramos juntos vendo aquela cena do metrô. Eu não sabia que seria uma despedida, mas olhando para trás, foi a melhor despedida que poderíamos ter.

Nunca fomos tão próximos assim, não nos víamos com muita frequência, mas estávamos ali, sempre algum tipo de contato, um encontro surpresa pelas ruas de São Paulo. Seu abraço era dos melhores do mundo. Eu nunca te abraçava uma vez só, tinha até medo de te sufocar, mas seu abraço era tão apertado, tão sincero. E o jeito como você sorria com os olhos, até eles ficarem bem pequenininhos.


domingo, 5 de novembro de 2017

...to eternity

A gente se conheceu numa fila de cinema. Ia passar o documentário do Nick Cave e ele não queria furar fila. A conexão foi instantânea, aquele sorriso largo dele me fisgou. Choramos juntos. Depois veio Elliott Smith. Alguns filmes da Mostra de 2015. A gente também viu "A Bruxa". Fora as cervejas em botecos sujos da Augusta. E no começo desse ano, que ele disse que tava triste e eu saí correndo pra tomar um café com ele. Postar Nick Cave um pro outro nos aniversários era uma tradição. Tô aqui ouvindo "The Weeping Song" no repeat e pensando nele, naquele abraço que eu amava, abraço apertado, sorriso sincero. Ele era uma das pessoas que eu mais amava abraçar. Há algumas semanas eu vi "Possessão" sentada do lado dele. Eu não sabia que seria a última vez que a gente ia se ver.

domingo, 29 de outubro de 2017

22:00

Antes eu pensava que não devia estar ali, mas sim em casa.
Agora não sei onde deveria estar.
Não quero estar em lugar algum.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

terça-feira, 19 de setembro de 2017

16:26

Em 2008 eu lia o blog de uma moça e era encantada pela vida dela. Ela era "das baladas", postava algumas fotos, mas falava bastante dos pensamentos e sentimentos dela. Lembro de um post em que ela descrevia a vida perfeita. Ela, o companheiro, uma casinha no interior. Dia desses a encontrei por acaso no instagram. Ela vive no interior, com o companheiro e dois filhos lindos. Fiquei tão feliz por ela. É bizarro isso de você acompanhar a vida de alguém, torcer por ela, ficar feliz e ela sequer saber da sua existência. É bizarro demais, mas eu fiquei bastante feliz.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

12:40

Eu me sinto completamente egoísta, incapaz de sentir felicidade pelo outro. Racionalmente eu sei que eu não devia pensar só na minha dor. Eu devia pensar na felicidade do outro, nos novos caminhos que ele está seguindo. Mas tem a dor e o medo e a insegurança.